quarta-feira, 25 de abril de 2012

PROGRAMAÇÃO DA PRIMEIRA JORNADA DE PESQUISA DO GRUPO "MULHERES E PRODUÇÃO CULTURAL"


 
PROGRAMAÇÃO DA PRIMEIRA JORNADA DE PESQUISA DO GRUPO
“MULHERES E PRODUÇÃO CULTURAL” 25-26 de maio de 2012

Coordenadora : Dra. Miriam Adelman, Programa de Pós-graduação em Sociologia, UFPR.
Vice coordenadora: Dra. Anna Beatriz Paula, SEPT, UFPR.


Sexta-feira, 25 de maio

Sessão 1. 9:00-12:00
Expositoras:
Cleusa Gomes, UNILA. “Gênero e práticas intersexuais no cinema latino americano”

Alexsandra Piasecka-Till, UFPR. “Atlas de bolso das mulheres” de Sylwia Chutnik: Intertextualidade, interdiscursividade e gênero social.”

Natália de Santana Guerellus, UFPR. “ Como um castelo de cartas: A construção da memória sobre a trajetória política de Rachel de Queiroz”

Daniele Shorne de Souza, UFPR. “A CIDADE DAS DAMAS E O SEU TESOURO: A PROBLEMATIZAÇÃO DA FEMINILIDADE POR CRISTINA DE PIZÁN NA FRANÇA DO INÍCIO DO SÉCULO XV

Joana Pupo, UEPG. “A INVISIBILIDADE DA AUTORIA FEMININA NO ROMANTISMO INGLÊS – A EXIGÊNCIA DE UMA MUDANÇA DE PARADIGMA”

Coordenadora da sessão: Ana Paula Vosne Martins, DEHIS/UFPR.

Sessão 2. 14:00-16:00

Flora Morena Maria Martini de Araújo. PARA ALÉM DE SOPHIE: A CONSTRUÇÃO DO MODELO FEMININO NAS OBRAS LES CONVERSATIONS D´EMILIE, DE MADAME D´ÉPINAY, E CORINNE, DE MADAME DE STAËL

Silvana Scarinci, PPGMúsica/UFPR. “Dido, Didon, Didone: três diferentes representações da personagem feminina de Virgílio em óperas do século XVII inglesa, francesa e italiana.”

Anadir dos Reis Miranda, DEHIS/UFPR. “Mary Wollstonecraft e a produção de romances sentimentais na Inglaterra Setecentista”



Coordenadora da sessão: Miriam Adelman, DECISO/UFPR.

Sessão 3. 16:30- 18:00

Maria Josele Bucco-Coelho, UFPR “Entre lugares discursivos: a ressemantização do sujeito subalterno na ficção histórica contemporânea”.

Miriam Adelman, DECISO/UFPR e Renata Senna Garrafoni, DEHIS/UFPR. “Escritoras da Geração Beat”.

Milena Costa de Souza, FAP. “Encontros Teóricos e Prática Artística: as teorias feministas e pós-colonial e o desenvolvimento da poética de Kara Walker”.

Coordenadora da sessão: Anna Beatriz Paula (SEPT, UFPR)

Local de sessões 1, 2 e 3: Sala da Pós-graduação em Sociologia (Rua General Carneiro, 460 9 andar)

Evento cultural: Homenagem à escritora e poeta Adrienne Rich, com leitura bi-lingue de poesias e discussão sobre a obra dela.
19:00 – 21:00 horas
Local: A ser confirmado!

Sábado, 26 de maio

Mesa Redonda: As Mulheres e a Produção Literária.
Local: Sala da Pós-graduação em História (Rua General Carneiro, 460, 6o andar)

Expositoras:

Beatriz Polidori Zechlinski, “Amizade e Criação Literária no Século XVII: Observações sobre os laçosafectivos entre Madame de La Fayette e Gilles Ménage.”

Anna Beatriz Paula, “Exílio e deslocamentos em Fasting and Feasting, de Anita Desai”

Coordenadora: Ana Paula Vosne Martins (DEHIS, UFPR)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Paulina Chiziane no Brasil!

http://www.geledes.org.br/patrimonio-cultural/literario-cientifico/literatura/literatura-africana/13823-novelas-brasileiras-passam-imagem-de-pais-branco-critica-escritora-mocambicana

Brasília - "Temos medo do Brasil." Foi com um desabafo inesperado que a romancista moçambicana Paulina Chiziane chamou a atenção do público do seminário A Literatura Africana Contemporânea, que integra a programação da 1ª Bienal do Livro e da Leitura, em Brasília (DF). Ela se referia aos efeitos da presença, em Moçambique, de igrejas e templos brasileiros e de produtos culturais como as telenovelas que transmitem, na opinião dela, uma falsa imagem do país.
"Para nós, moçambicanos, a imagem do Brasil é a de um país branco ou, no máximo, mestiço. O único negro brasileiro bem-sucedido que reconhecemos como tal é o Pelé. Nas telenovelas, que são as responsáveis por definir a imagem que temos do Brasil, só vemos negros como carregadores ou como empregados domésticos. No topo [da representação social] estão os brancos. Esta é a imagem que o Brasil está vendendo ao mundo", criticou a autora, destacando que essas representações contribuem para perpetuar as desigualdades raciais e sociais existentes em seu país.
"De tanto ver nas novelas o branco mandando e o negro varrendo e carregando, o moçambicano passa a ver tal situação como aparentemente normal", sustenta Paulina, apontando para a mesma organização social em seu país.
A presença de igrejas brasileiras em território moçambicano também tem impactos negativos na cultura do país, na avaliação da escritora. "Quando uma ou várias igrejas chegam e nos dizem que nossa maneira de crer não é correta, que a melhor crença é a que elas trazem, isso significa destruir uma identidade cultural. Não há o respeito às crenças locais. Na cultura africana, um curandeiro é não apenas o médico tradicional, mas também o detentor de parte da história e da cultura popular", detacou Paulina, criticando os governos dos dois países que permitem a intervenção dessas instituições.
Primeira mulher a publicar um livro em Moçambique, Paulina procura fugir de estereótipos em sua obra, principalmente, os que limitam a mulher ao papel de dependente, incapaz de pensar por si só, condicionada a apenas servir.
"Gosto muito dos poetas de meu país, mas nunca encontrei na literatura que os homens escrevem o perfil de uma mulher inteira. É sempre a boca, as pernas, um único aspecto. Nunca a sabedoria infinita que provém das mulheres", disse Paulina, lembrando que, até a colonização europeia, cabia às mulheres desempenhar a função narrativa e de transmitir o conhecimento.
"Antes do colonialismo, a arte e a literatura eram femininas. Cabia às mulheres contar as histórias e, assim, socializar as crianças. Com o sistema colonial e o emprego do sistema de educação imperial, os homens passam a aprender a escrever e a contar as histórias. Por isso mesmo, ainda hoje, em Moçambique, há poucas mulheres escritoras", disse Paulina.
"Mesmo independentes [a partir de 1975], passamos a escrever a partir da educação europeia que havíamos recebido, levando os estereótipos e preconceitos que nos foram transmitidos. A sabedoria africana propriamente dita, a que é conhecida pelas mulheres, continua excluída. Isso para não dizer que mais da metade da população moçambicana não fala português e poucos são os autores que escrevem em outras línguas moçambicanas", disse Paulina.
Durante a bienal, foi relançado o livro Niketche, uma história de poligamia, de autoria da escritora moçambicana.".
Edição: Lílian Beraldo
Fonte: Agencia Brasil